quinta-feira, 25 de setembro de 2025

DEMOCRACIA E MÉRITO: REPENSAR AS ELEIÇÕES NO ESCUTISMO

Eleições e Nomeações no Escutismo – O equilíbrio necessário

Na minha perspetiva, o Escutismo deveria rever o atual modelo de acesso a cargos de responsabilidade, procurando um sistema que conjugue a legitimidade democrática com a adequação técnica de quem assume funções.

Defendo que apenas quatro cargos devam ser preenchidos através de sufrágio direto e universal: Chefe Nacional, Chefe Regional, Chefe de Núcleo e Chefe de Agrupamento. Estes são os lugares que determinam a estratégia global, a representatividade e a identidade do movimento perante os associados e a sociedade. Exigem, por isso, uma escolha legitimada por todos os membros, garantindo confiança, transparência e participação.

Já os restantes cargos, muitas vezes de caráter mais técnico ou especializado, poderiam ser ocupados por nomeação, orientada pela aplicação de um catálogo claro de perfis, cargos e funções. Assim, seria possível colocar as pessoas certas nos lugares certos, não pela sua popularidade ou proximidade a determinados grupos, mas sim pelas suas competências, experiência e adequação ao serviço que se propõem prestar, e sempre escrutinados pelos Conselhos Fiscais e Jurisdicionais e respectivos Conselhos "plenários" do nível da estrutura. 

Um modelo misto como este poderia trazer vários benefícios:

  • Evitaria a dispersão de energias em processos eleitorais que pouco acrescentam à vida associativa.

  • Garantiria que as funções técnicas são desempenhadas por pessoas realmente preparadas para o efeito.

  • Reforçaria a qualidade da liderança, ao mesmo tempo que preserva o espírito democrático onde ele mais importa.

É verdade que tal sistema levanta desafios: a necessidade de assegurar transparência nas nomeações, evitar favoritismos e garantir que o catálogo de perfis é construído e aplicado com rigor e justiça. No entanto, estes obstáculos não são intransponíveis e poderiam ser superados com regras claras, auditorias internas e um espírito de serviço fiel aos valores escutistas.

O Escutismo, sendo um movimento educativo, deve dar o exemplo não só na participação democrática, mas também na capacidade de reconhecer e valorizar as competências de cada membro. A legitimidade eleitoral é essencial, mas não pode ser confundida com um critério absoluto para todas as funções. Talvez esteja na hora de refletirmos seriamente sobre um modelo que una o melhor de dois mundos: democracia e mérito.

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