APRENDER SEMPRE, CRESCER SEMPRE, SERVIR SEMPRE
Hoje, mais do que nunca, num movimento em constante evolução, todos os agrupamentos escutistas precisam de grande flexibilidade para se adaptar às circunstâncias impostas pela sociedade onde estão inseridos e pelas novas gerações de jovens. Cada vez mais, as mudanças são contínuas e acontecem a uma velocidade impressionante.
Nesse processo permanente de transformação, os dirigentes
escutistas precisam de se atualizar constantemente, em busca de maior
preparação pedagógica e humana, para melhor servir os jovens e o Movimento.
Atualmente, uma associação considerada moderna precisa
funcionar como uma verdadeira “organização de aprendizagem”, onde cada
dirigente e cada jovem possam desenvolver todo o seu potencial, crescendo em
conhecimento, experiência e valores, de modo a enriquecer não só a vida pessoal,
mas também a vida do grupo.
Vivemos na era do conhecimento e da partilha, onde não basta
termos braços para trabalhar nas atividades; precisamos de corações generosos e
mentes criativas. O Escutismo exige Conhecimento + Motivação + Criatividade
= Sucesso educativo e humano.
Por isso, mais do que nunca, os agrupamentos precisam de se
renovar constantemente, para se adaptarem às exigências do ambiente social e
educativo. Nesse contexto, a equipa de dirigentes deve assumir a linha da
frente do processo, incentivando a aprendizagem contínua e a busca do
conhecimento, que é hoje considerado um dos maiores tesouros.
Contudo, paradoxalmente, um dos maiores obstáculos à
verdadeira mudança dentro do Escutismo pode estar precisamente na manutenção
prolongada de direções e cargos.
Muitos agrupamentos mantêm as mesmas pessoas durante anos em
funções de liderança, sem promover uma renovação saudável. Com o tempo, essas
lideranças deixam de se atualizar, e os valores transmitidos podem tornar-se
retrógrados, afastando-se do espírito de Baden-Powell e das necessidades dos
jovens de hoje.
Chamemos a essas estruturas fechadas de “panelas da
incompetência”: grupos que valorizam mais a proximidade pessoal do que a
competência e a dedicação ao serviço educativo. Nelas, quem faz parte “está no
jogo”, e os outros, por mais preparados que estejam, ficam de lado.
O resultado é o desânimo de muitos dirigentes e jovens, que
percebem que, em certos contextos, o que conta não é a competência ou o serviço
ao próximo, mas sim o QI – “Quem Indica”.
Essas “panelas” têm verdadeiro receio de novas ideias e,
pior ainda, do talento. O medo de serem ultrapassados ou substituídos leva
alguns a sufocar qualquer brilho ou criatividade que surja. Assim, em vez de
promoverem crescimento, acabam por travar o próprio desenvolvimento do
Movimento.
No fundo, qualquer “panela da incompetência” foge do talento
como o diabo da cruz, porque o talento traz renovação, questionamento e
mudança. E, por receio de sombra, estas estruturas fechadas procuram eliminar
quem se destaca.
O Escutismo, no entanto, ensina-nos o oposto: que devemos formar
líderes, dar oportunidade a todos, valorizar o mérito, a dedicação e o
serviço. Só assim poderemos ser, de facto, um movimento que educa para a vida e
que acompanha os jovens no seu caminho de crescimento integral.

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